Preocupação

Com redução no número de vagas, EJA fica restrito

Das dez instituições que ofertavam a modalidade em Pelotas, apenas quatro devem matricular neste ano

Divulgação -

A remodelação que acontece desde o ano passado na Educação para Jovens e Adultos (EJA) pode afastar muitas pessoas da conclusão dos ensinos Fundamental e Médio. Após orientação do governo do Estado sobre a redução de vagas, turmas precisarão ser fechadas. Em Pelotas, das dez instituições que abrigavam os alunos, apenas quatro poderão oferecer a modalidade de ensino em 2021. Com isso, representantes e o sindicato da categoria iniciaram uma mobilização em prol da abertura de mais vagas.

A Escola Adolfo Fetter, maior no quesito em Pelotas, oferecia em torno de 15 turmas. Com a nova ordem, o número será reduzido para apenas uma turma destinada ao Ensino Médio. “Sempre tivemos muitas turmas. Nas de totalidade sete (referente ao primeiro ano do Ensino Médio) por exemplo, sempre tiveram cinco ou seis turmas; quatro da totalidade oito; e três da totalidade nove”, afirmou a diretora da instituição, Magda Beatriz Alves.

No caso do Instituto Assis Brasil, as oito turmas serão fechadas. Além de ficar sem EJA, o colégio terá suas outras classes noturnas ameaçadas. “Com a finalização das turmas EJA, o noturno poderá ser retirado. Podemos perder secretários, monitores e merendeiras. Se houver o fechamento de turmas, como fica a vida também dos professores?”, desabafou o diretor, Fabio Padilha.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), a remodelação aconteceu após análise sobre os anos de 2018 e 2019, onde foi constatado uma redução do número de alunos egressos. Em algumas turmas, chegaram a ser registrados apenas dois alunos, logo, a Seduc optou pela redução de vagas ofertadas.

Responsável pela 5º Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Alice Szezepanski, afirma que a baixa procura já havia sido apontada nos anos anteriores em Pelotas. “Notamos que as instituições que eram perto de outras tiveram menos procura, por isso a redução de escolas à disposição. A preferência vão ser as escolas mais distantes”, disse. A coordenadora lembra que as vagas foram reabertas no último dia 1º e servirão de parâmetro quanto à demanda, e que “em caso de uma alta procura, a oferta de turmas será ampliada”.

Caso se concretizem as mudanças previstas, quatro escolas permanecerão com a EJA. Segundo a Secretaria, são elas: Escola Estadual de Ensino Fundamental Parque do Obelisco e Escola Estadual de Ensino Médio Doutor Augusto Simões Lopes, ambas com turmas de Ensino Fundamental. Ainda a Escola Estadual de Ensino Médio Adolfo Fetter e o Colégio Estadual Dom João Braga com turmas de Ensino Médio.

Mobilização

Com o início da movimentação por parte do Cpers Sindicato, uma proposta de mobilização foi lançada às escolas da Zona Sul e conta com a adesão de instituições de todo o Estado. “A grande preocupação que nós temos, e essas escolas que estão no movimento, é que o governo do Estado tem diminuído de forma sistemática a oferta de matrículas para o EJA. Esse processo de forma mais acentuada começou no ano passado, a partir do segundo semestre, e de uma forma mais drástica para esse ano de 2021”, afirmou o coordenador do 24º núcleo do Cpers, Mauro Amaral.

No dia 20 de janeiro, um encontro com representantes das escolas que ofertavam a modalidade de ensino na cidade, juntamente com o Cpers, definiu os próximos passos da mobilização. Um documento foi enviado à Promotoria da Educação de Pelotas, com reinvindicações sobre o assunto e o pedido de encaminhamento ao Ministério Público. Uma moção também foi enviada à Câmara de Vereadores e aprovada no começo de fevereiro.

Por meio da Comissão Especial de Educação da Assembleia Legislativa, também foram encaminhados requerimentos a serem repassados ao Estado. Durante o encontro, deputados e representantes de diversas entidades ligadas à educação demonstraram suas preocupações e pediram atenção ao futuro da Educação de Jovens e Adultos no Rio Grande do Sul.

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